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Orgulho Liquido - 05/04/2011

Nizan Guanaes

Jornal Folha de São Paulo, 28.12.10 – caderno B8 Mercado


“Erramos muito neste país, mas finalmente aprendemos com nossos erros. E se nós não estamos ainda em plena forma, descobrimos um caminho para chegar lá. Viver é errar e consertar rápido. Fazer leva tempo. Fazer direito, certo e bem feito leva tempo.


Numa trajetória de crescimento, já muito para comemorar e correções de rota a fazer. Isso vale para países, para pessoas para empresas. Numa empresa, só o lucro liberta. É o que digo aos meus sócios: você entrega o lucro, e eu não apareço para encher o seu saco.


Mas o momento é de aperfeiçoarmos esse conceito.


Em vez de só lucro líquido, vamos buscar o “Orgulho Líquido”[grifo nosso]. Se, depois do lucro líquido, não sobrar orgulho, um dia provavelmente não vai sobrar nada para você contar. E criar orgulho é muito mais difícil do que criar lucro. Esse desafio enorme deve servir como novo combustível para impulsionar nossas empresas.


Fazer lucro não fazendo a entrega certa é cuidar da sua cadeia produtiva de maneira vil: é não cuidar do funcionário, é não dar assistência e horizonte para ele, é só dar tapinha nas costas, é ser displicente com os fornecedores e com as comunidades envolvidas.


Isso não é lucro sustentável por nenhum ângulo que se observe. A responsabilidade social, em todos os sentidos, deve estar inserida no modelo de negócio das empresas e das organizações.


Responsabilidade social é trabalhar para produtos e serviços que orgulhem a empresa, é adotar práticas comerciais que orgulhem nossos filhos.

Responsabilidade social é ter o melhor lucro dentro das melhores práticas. E só empresas altamente lucrativas e altamente responsáveis vão prosperar neste mundo altamente competitivo em que lutamos.


O lucro e a responsabilidade podem ter sido inimigos do passado, mas são grandes aliados neste futuro que já chegou.


Isso passa pelo desafio de reter talentos – e, quanto mais sofisticadas as tecnologias, maior a necessidade dos talentos.


É preciso treinar, engajar em valores e sonhos. Um sonho grande e inclusivo. E se for apenas um sonho por dinheiro, será impossível reter os talentos num mercado tão aquecido e com tantas oportunidades.


Um sonho grande se constrói com orgulho líquido. Seu colaborador precisa pensar da sua empresa: “Eu me orgulho de suas práticas, do seu cuidar das pessoas. Porque     ela cobra com rigor, mas remunera [e trata] com justiça”.


Nós, brasileiros, nos orgulhamos de todo brasileiro que vence, criando valor e devolvendo ao país e ás comunidades onde se formou e atua. Muitos desses orgulhos já são verdades hoje. Outros são ainda desafios á frente.


Num país onde tantas empresas juntas foram reunidas com pessoas de origens e culturas tão diferentes, é preciso respeitar o histórico das lideranças e o DNA das empresas e das organizações.


Mas precisamos construir com disciplina uma cultura de orgulho líquido, para termos as melhores organizações dentro das melhores práticas. Assim teremos as grandes líderes, as formadoras de orgulho bruto.


Como fazer sucesso, como ter qualidade, como reter talentos sendo responsável? Siga o dinheiro, mas o dinheiro orgulhoso.


Se você pensa que sabe tudo, está obsoleto. Quem diz que sabe tudo sobre seu próprio negócio está morto. É preciso inovação. Para fazer mais rápido, mais sustentável, mais barato, mais produtivo, melhor.


Convido a todos neste momento reflexivo do ano a fazerem duas perguntas que tenho feito:

Isso vai dar dinheiro? Isso vai dar orgulho (para mim, para minha carreira, para meus clientes, para meus colegas, para meus filhos, para meus sócios) [para meus colaboradores]?


E vamos assim construir o Brasil 2020...”



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