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Nas entrelinhas encantadas de Narnia - 05/04/2011

Era uma vez ... , um reino encantado onde o relacionamento humano estava  cada dia mais distante, fragmentado e em extinção. Os líderes e profissionais das organizações assumiam papéis cada vez mais operacionais e aposentavam em suas gavetas, a comunicação “olho no olho” dando preferência ao  “wireless”  e a distância do calor humano.


Vivia-se em uma Era onde o abraço se enviava digitando algumas letras, as pessoas estavam cada vez mais “encasuladas”, desconfiadas do seu próximo, tinham medo do contato, as palestras sobre assédio incendiavam as empresas e a competitividade interna  assombrava e emperrava o fluxo de informações entre as pessoas. As boas relações eram otimizadas em rápidos encontros de cafezinhos de máquinas.


“Será a Era do Conhecimento ou do Desconhecimento ?” – questionavam os habitantes daquela terra. Ninguém sabia nada sobre ninguém, ou melhor, sabiam das atrocidades, das fofocas e do infortúnio alheio, parecendo que tinham uma predileção natural pela tragédia. 


Perguntas como: “quais são os gostos do meu colega de trabalho?”, “o que ele faz nas horas vagas?”, “qual sua história de vida?”, ”o que posso aprender com ele?” ou ainda “como posso ajudá-lo em suas dificuldades?”, ajudavam a medir o quão distantes estavam das outras pessoas e também a refletir mais criteriosamente sobre a má qualidade de suas relações.


Há décadas atrás, um oráculo chamado Einstein havia previsto que a maior de todas as bombas ainda estava por vir: “ela seria acionada pela desintegração das relações humanas”. E aos líderes daquele reino restavam-lhe uma grande missão: impedir esta grande catástrofe.


Nesta terra encantada, que chamaremos de Nárnia do século XXI, o profissional estava carente de relações humanas e precisava de uma pausa para se abastecer, para se calibrar, para se desenvolver e para cuidar delas, caso contrário, estariam fadados a viver infelizes para sempre ...


Nárnia do século XXI precisava encarecidamente de atitudes de amor incondicional, de pessoas que se preocupam com pessoas, de mais abraços, mais sorrisos, mais calor humano. O mundo de Nárnia necessitava de líderes íntegros e sobretudo humildes o suficiente para estarem dispostos a aprender com seus liderados mais do que ensiná-los. Os líderes que a terra encantada  precisava não podiam parar no tempo e deveriam exercitar constantemente suas competências voltadas ao relacionamento.


Num contexto onde o caos das relações imperava, uma generosa feiticeira lançou sobre o povo e sobre todos os líderes, o pó mágico do hábito de abraçar física e emocionalmente as pessoas e as “causas”. O pó mágico do abraço causou um grande impacto nas contas relacionais dos habitantes daquela terra.   Do aconchego de um caloroso abraço, nasciam e cresciam as relações mais genuínas, possibilitando assim a troca de energia e calor humano, tão deficiente naquela Era.


 


- “O toque físico não é apenas agradável, mas necessário” – disse a feiticeira.


- “As pesquisas científicas do futuro irão respaldar a teoria de que a estimulação pelo toque é absolutamente imprescindível para o bem-estar físico e emocional. Estudos com narnianos pré-maturos,  revelarão que sem o toque eles são mais propensos a adoecerem e morrerem, comprovando assim que as relações não sobrevivem sem o calor,  sem o toque, sem a reciclagem de energia”.


Desde então, o abraço físico então tornou-se  um “pit stop” para recarregar as energias, e potencializar a motivação e a auto-estima. As pessoas motivadas e de auto-estima elevada tinham aparência alegre, jovial, de atitudes sempre positivas, de espírito entusiasta, o corpo ereto, voz firme e rosto iluminado. As pessoas motivadas irradiavam energia positiva, eram todas cheias de luz!


- "Melhor não hesitar em abraçar uma pessoa altamente energizada e motivada – comentavam os Narnianos - pois as chances de contágio são infinitas!”


 


E com o passar do tempo, o abraço físico passou a ser tão fácil .que os narnianos não queriam mais deixar de abraçar ! Mas, assim como os  prematuros, as “causas” também não sobrevivem se não existirem pessoas para “abraçá-las” – comentou a feiticeira, - ainda há algo a fazer !”


Os Narnianos não tinham compreendido muito bem como poderiam abraçar alguém emocionalmente, e correram logo perguntar para um velho centauro sábio, que explicou:


“ - O abraço emocional requer um pouco mais de habilidade, pois envolve a prática de outros hábitos mais complexos como o de cuidar e servir. O abraço emocional é uma transfusão de forças onde se pode colher e provar do doce fruto da solidariedade. “ E então o sábio centauro prescreveu a todos a poção dos “projetos significativos”.


E quando as pessoas tomavam da poção, as pessoas passaram a ter necessidade de estar envolvidas em projetos significativos,  de abraçar boas causas, passaram a ter objetivos pelos quais valessem a pena lutar. Os projetos significativos  exerciam uma influência de cura sobre os narnianos, pois uma vez envolvidas com novos desafios e problemas dos outros, os seus problemas passavam para segundo plano.


O povo daquela terra outrora fria e infeliz descobriu que o verdadeiro sentido da vida era atribuído a um conjunto de iniciativas criativas e eficazes para o crescimento pessoal e que a prática de atos de bondade ou o serviço altruístico eram bons exemplos destas iniciativas criativas e eficazes. Eles passaram a defender a idéia de que a “qualidade de sua vidas se resumia à qualidade de suas contribuições. Quando se trabalha para melhorar a vida dos outros, indiretamente a própria vida é elevada no processo, e sua vida se torna mais rica e significativa”.


Também descobriram que as ações de voluntariado estavam diretamente ligadas à humanização das pessoas e claro, à integração, visto que quando estavam juntas prestando um serviço comunitário, os corações se enterneciam e as barreiras se rompiam mais facilmente.


O espírito de solidariedade e engajamento caritativo eram constantemente exercitados. As pessoas se sentiam abraçadas emocionalmente quando percebiam que suas “causas” eram abraçadas, quando recebiam um generoso e sincero “feedback” ou quando a habilidade de empatia era colocada em prática.


Em Nárnia do Século XXI a prática do abraço tornou-se um hábito potencializador entre as pessoas, não importando a grandeza dos bons ou maus momentos. Quando o povo passou a ter o hábito de “abraçar causas” em prol da equipe e eram desprovidas de seus próprios interesses, elas tinham prazer em compartilhar todos estes  momentos juntos.


Os líderes da terra encantada descobriram que o segredo da felicidade estava na capacidade de alegrar-se com a alegria dos outros.  E estes ensinamentos foram passados entre os narnianos de pai para filho por muitos e muitos anos  .......



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